EUA e Reino Unido fecham acordo para cooperação regulatória em cripto: o que isso significa?

On Set 18, 2025 at 10:28 am UTC by · 6 mins read

A decisão foi costurada durante a visita oficial do presidente Donald Trump a Londres.

Estados Unidos e Reino Unido estão prestes a anunciar um acordo inédito de cooperação regulatória no setor de criptomoedas, stablecoins e ativos digitais, conforme noticiou o Financial Times na terça-feira (16/09).

A decisão foi costurada durante a visita oficial do presidente Donald Trump a Londres e reflete uma aproximação diplomática entre as duas maiores praças financeiras do Ocidente. Além disso, mostra uma resposta coordenada à crescente pressão por clareza regulatória e competitividade no mercado global de criptoativos.

O anúncio, segundo informações do Financial Times, deve ocorrer após reuniões entre a chanceler britânica Rachel Reeves e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que contaram também com a presença de representantes de grandes bancos, como Barclays, Citi e Bank of America, além de líderes da indústria cripto como Coinbase, Circle e Ripple.

Acordo entre EUA e Reino Unido mira em stablecoins

O objetivo central do acordo entre EUA e Reino Unido é harmonizar regras em torno de stablecoins e criar um ambiente mais previsível para empresas operarem em ambos os lados do Atlântico. Ao mesmo tempo, fortalece o acesso de startups britânicas ao mercado norte-americano.

O foco está em abrir espaço de clareza regulatória para que as melhores criptomoedas entrem sem problemas no ecossistema tradicional. E o contexto que motiva essa aliança é claro.

De um lado, o Reino Unido enfrenta preocupações crescentes sobre a fuga de empresas de criptoativos para jurisdições mais favoráveis. Um destino frequente é os Estados Unidos, que têm sinalizado maior abertura à inovação financeira digital.

Do outro lado, os americanos buscam consolidar regras mais transparentes e previsíveis para stablecoins e ativos digitais, após anos de críticas a uma postura marcada pela chamada ‘regulação via enforcement’.

No Reino Unido, o governo já vinha esboçando propostas para trazer exchanges e intermediários cripto sob supervisão financeira, bem como para regular stablecoins em moldes similares às normas bancárias.

Ainda assim, o setor reclamava da falta de clareza e de medidas mais concretas para garantir competitividade frente à União Europeia e aos Estados Unidos.

Já em Washington, avanços como o GENIUS Act, recentemente aprovado para estruturar o mercado de stablecoins, mostraram disposição em dar respostas institucionais mais robustas ao setor.

O que diz o acordo

O acordo entre EUA e Reino Unido deve incluir cláusulas como a criação de sandboxes regulatórios conjuntos para testes de novas tecnologias e aplicações de blockchain, além de padrões alinhados para auditoria, reservas e transparência de stablecoins.

Segundo o Financial Times, outra frente deve ser o reconhecimento mútuo de algumas licenças e autorizações. Portanto, facilitaria o acesso de empresas britânicas ao mercado americano e vice-versa. Também ajudaria a reduzir custos operacionais e burocráticos para companhias que desejam atuar de forma transnacional.

Além disso, há a intenção de proteger Londres da perda de relevância como centro global de inovação financeira. Afinal, várias startups cripto haviam começado a migrar para Nova York ou até para mercados asiáticos em busca de regras mais claras.

Os possíveis benefícios desse acordo são numerosos. Para empresas de cripto e fintechs, a maior clareza regulatória significará menos incertezas jurídicas e custos mais previsíveis. Investidores institucionais podem se sentir mais confiantes em alocar recursos em projetos digitais com um arcabouço jurídico robusto por trás.

Movimento pode atrair capital

O alinhamento regulatório também deve atrair capital e inovação, acelerando o desenvolvimento de produtos financeiros tokenizados, protocolos de DeFi e soluções de blockchain em escala global.

Do lado britânico, o país poderá se reposicionar como hub competitivo, após críticas de que estava ficando atrás da União Europeia e dos Estados Unidos na corrida regulatória.

Para os consumidores, regras coordenadas prometem maior proteção contra fraudes, golpes e riscos de manipulação de mercado, um problema que ainda pesa sobre a reputação do setor.

Mas o caminho não está livre de desafios. Historicamente, Estados Unidos e Reino Unido têm abordagens diferentes na supervisão de mercados financeiros, na proteção ao investidor e na estabilidade monetária.

Harmonizar essas diferenças exigirá tempo, negociação política e ajustes burocráticos. Além disso, há o risco de supervisão excessiva sufocar a inovação. Inclusive para startups menores que não possuem a mesma capacidade de lidar com custos de compliance que grandes players globais.

Compatibilidade técnica também é desafio

Outro ponto sensível será a compatibilidade técnica entre diferentes normas, principalmente em áreas como transferência de dados, auditorias internacionais, responsabilidade em casos de fraudes cross-border e regime tributário de transações envolvendo criptoativos.

Os impactos do acordo no mercado cripto podem ser profundos. Empresas britânicas de cripto, como exchanges, provedores de infraestrutura e projetos de tokenização, terão melhores condições para acessar o mercado norte-americano, hoje considerado o mais relevante para investidores institucionais.

Já as stablecoins, foco central da cooperação, podem se beneficiar de regras claras de reserva, auditoria e transparência. Isso deve aumentar a confiança de usuários e reguladores. Em contrapartida, stablecoins emitidas em jurisdições menos rígidas podem perder espaço.

O setor de finanças descentralizadas e tokenização deve ganhar novo fôlego, com menos barreiras para lançar produtos cross-border. Em termos globais, o acordo pode estimular outros países e blocos, como a União Europeia e algumas nações asiáticas, a acelerar regulações próprias para não perder espaço no mercado internacional de criptoativos.

Exemplos recentes ajudam a entender a importância do movimento. Em abril de 2025, o Reino Unido apresentou um projeto para regular exchanges e intermediários de cripto, alinhando-se parcialmente ao modelo dos EUA. Também ventilou a possibilidade de isentar emissores estrangeiros de stablecoins de algumas regras, facilitando a atração de emissores globais.

Do lado americano, medidas como a aprovação do GENIUS Act demonstraram disposição em estruturar uma base regulatória mais estável.

Agora, a cooperação transatlântica pode representar o passo necessário para transformar intenções em práticas concretas. No entanto, ainda existem muitas questões em aberto.

Marco histórico

O anúncio de uma cooperação regulatória entre EUA e Reino Unido marca um passo histórico na institucionalização do mercado de criptoativos. Se bem implementado, o acordo pode inaugurar uma nova fase de maturidade para o setor, oferecendo legitimidade, clareza e previsibilidade sem sufocar a inovação.

Para investidores, startups e instituições financeiras, o pacto sinaliza que a indústria cripto deixou de ser marginal. Em vez disso, ocupa agora um espaço central nas estratégias de política econômica e financeira global.

Por outro lado, o sucesso dependerá de como reguladores e legisladores equilibrarão segurança com liberdade inovadora, evitando tanto a inércia quanto o excesso.

De qualquer forma, o recado é claro: o eixo transatlântico está determinado a assumir a liderança na construção de regras para o futuro das finanças digitais.

Disclaimer: Coinspeaker está comprometido em fornecer reportagens imparciais e transparentes. Este artigo tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Mas não deve ser considerado como conselho financeiro ou de investimento. Como as condições do mercado podem mudar rapidamente, recomendamos que você verifique as informações por conta própria. E consulte um profissional antes de tomar qualquer decisão com base neste conteúdo.

Share:

Related Articles

Coinbase criticada por investimentos de Jeffrey Epstein

By Fevereiro 3rd, 2026

Documentos do departamento de justiça dos EUA sugerem que Epstein investiu na Coinbase pela Blockchain Capital, de Brock Pierce, em 2014.

Liquidação de criptomoedas: Bitcoin vs. Ouro e 275 mil traders afetados

By Janeiro 30th, 2026

Conforme a Santiment, os investidores não têm certeza se o BTC deve ser visto como ouro digital.

Tether faz proposta bilionária para assumir o controle da Juventus

By Dezembro 16th, 2025

A proposta de € 1,1 bilhão pela Juventus mostra como companhias cripto amadurecem.

Exit mobile version