O Morgan Stanley projeta o início de um ciclo de cortes de juros do Fed em setembro nos EUA.
Redução pode estimular liquidez global e favorecer ativos de risco como BTC e ETH.
O Bitcoin opera em torno de US$ 110 mil, e o Ethereum próximo de US$ 4.400, com potencial de recuperação.
Estratégia de liquidez pode fortalecer tesourarias corporativas em cripto, como MicroStrategy (BTC) e SharpLink Gaming (ETH).
O mercado financeiro global recebeu na terça-feira (26/8) uma nova análise da Morgan Stanley, sinalizando que o Federal Reserve (Fed) deve iniciar cortes na taxa de juros já em setembro.
A previsão traz um corte de 25 pontos base no próximo mês, seguido por outro em dezembro e ajustes trimestrais ao longo de 2026, levando o juro terminal para cerca de 2,75 % a 3 %.
Essa mudança de cenário ocorreu após o discurso de Jerome Powell em Jackson Hole, no qual ele expressou preocupações crescentes com o enfraquecimento do mercado de trabalho, sinalizando uma possível guinada na política monetária.
A notícia tem o potencial de redesenhar o horizonte para ativos de risco, em especial as criptomoedas. Com mais de US$ 1,4 trilhão em ativos sob gestão, o Morgan Stanley traz peso institucional a uma mudança que pode reavivar a liquidez global.
Desse modo, analistas discutem que seria possível atrair uma nova onda de capitais para o Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e altcoins em geral.
Taxas mais baixas e o impulso para criptomoedas
Historicamente, cortes na taxa do Fed têm sido catalisadores poderosos para ativos alternativos — e as melhores criptomoedas costumam pegar carona. Com o dólar mais acessível e uma maior liquidez no sistema, os investidores tendem a buscar retornos fora dos títulos do governo.
O Bitcoin, frequentemente chamado de ‘ouro digital’, destaca-se nesse cenário. Entre os motivos, está sua escassez. A oferta limitada o torna especialmente atrativo em contexto de estímulos monetários.
Nos recentes ciclos de corte de juros, como em 2020–2021, o BTC saltou de US$ 10.000 para mais de US$ 60.000 em menos de um ano. Essa dinâmica pode se repetir agora, com o preço do BTC atualmente girando em torno de US$ 110.000, após quedas recentes provocadas por vendas de baleias e liquidações extensas.
Já o Ethereum está hoje na faixa de US$ 4.300 a US$ 4.500, após tocar suas máximas históricas.
O corte nas taxas deve apoiar ainda mais o ecossistema DeFi, contratos inteligentes e soluções de Layer 2, que juntos atingiram valores robustos de capital bloqueado (TVL). Portanto, também estimula desenvolvedores e novos projetos.
Cenário técnico e comportamento do mercado cripto
Apesar da perspectiva de otimismo, o momento técnico dos preços segue delicado. O Bitcoin caiu mais de 4% na semana, chegando a patamares abaixo de US$ 110 mil após uma venda massiva, com liquidações que superaram US$ 900 milhões. Esse movimento sugere que, mesmo sob a expectativa de cortes de juros, o mercado permanece extremamente sensível a choques recentes e à volatilidade.
O analista Sean Dawson, da Derive.xyz, elevou de 20% para 35% a probabilidade de o BTC operar em torno de US$ 100 mil até o fim de setembro. Por outro lado, o ETH pode testar níveis próximos a US$ 4 000 nas próximas semanas.
Isso reforça o caráter especulativo do momento, com oportunidades e riscos lado a lado.
Efeitos para Ethereum e DeFi
Portanto, com o Ethereum cotado a cerca de US$ 4.400, o terreno é fértil para uma recuperação se os juros começarem a cair. No entanto, o crescimento do ecossistema DeFi tem sido menos impressionante do que em ciclos anteriores.
Layer 2s como Base, Arbitrum e Optimism seguem absorvendo liquidez, mas o TVL permanece estagnado em comparação com picos anteriores.
O efeito de juros mais brandos não é novidade. Durante a crise de 2008 e a pandemia de COVID‑19, a liquidez extrema do Fed impulsionou ativos como o Bitcoin e ações de tecnologia.
Em 2020, o BTC saltou de US$ 7.000 para cerca de US$ 29.000 em poucos meses, impulsionado por estímulos e injeções de capital.
Com a inflação americana agora em torno de 3,5% ao ano e mercados globais ainda cautelosos, um corte de juros pode alinhar a política monetária dos EUA com a de outros bancos centrais que já mantêm juros baixos ou negativos, criando um ambiente macro propício para o crescimento das criptomoedas.
Riscos e sinais de alerta
Apesar do potencial de alta, os efeitos de um corte não são garantidos. Se o Fed reduzir taxas apenas como resposta à fraqueza econômica, o impacto pode ser negativo. Inclusive para o mercado cripto, que hoje apresenta alta correlação com índices acionários como o S&P 500.
Ou seja, a volatilidade persistente do Bitcoin e a centralização de capital em ativos digitais podem amplificar riscos. Além disso, maior liquidez pode atrair ainda mais atenção regulatória.
Apesar de a regulação hoje ser bastante favorável ao mercado cripto sob administração de Trump, os bancos já fazem lobby contra as stablecoins.
Perspectivas de longo prazo são bullish
A previsão do Morgan Stanley pode marcar uma guinada estrutural. com casas tradicionais começando a incorporar cripto em suas análises. Portanto, o ativo digital se consolidaria como peça estratégica em portfólios diversificados.
O Bitcoin, enquanto reserva de valor, e o Ethereum, enquanto infraestrutura de finanças descentralizadas, ganham destaque em cenários de juros baixos e estímulos moderados.
A reviravolta do Morgan Stanley, agora prevendo cortes de juros já em setembro, reacende expectativas de valorização para criptomoedas. O Bitcoin, avaliado em torno de US$ 110 mil, e o Ethereum, flutuando entre US$ 4.400 e US$ 4.500, podem ser impulsionados por uma nova onda de liquidez.
Impactos sobre as treasury companies
O possível ciclo de cortes de juros do Fed em setembro tem implicações diretas para as duas maiores referências de tesouraria corporativa em cripto. Por exemplo, a Strategy e a Sharplink Gaming já movimentam dezenas de bilhões de dólares em Bitcoin e Ethereum, transformando-se em símbolos da integração entre Wall Street e blockchain.
A Strategy, sob a liderança de Michael Saylor, acumula atualmente 632.457 BTC, avaliados em cerca de US$ 69,7 bilhões. Portanto, acumula um lucro não realizado de quase US$ 23,2 bilhões desde o início de sua estratégia. Cada bitcoin foi adquirido a um preço médio de US$ 73.539, e hoje está cotado em torno de US$ 110.000, reforçando a visão de longo prazo da empresa.
Em um ambiente de liquidez crescente, resultado de cortes de juros, o Bitcoin tende a se beneficiar como reserva de valor, fortalecendo ainda mais a tese corporativa de Saylor. Para investidores institucionais, a Strategy se tornou um veículo de exposição ao BTC com retorno superior ao próprio ativo, dado o prêmio sobre suas ações no mercado.
Sharplink já é maior detentora de ETH
Já a Sharplink Gaming consolidou sua posição como maior detentora corporativa de Ethereum, com 797.704 ETH avaliados em aproximadamente US$ 3,7 bilhões. Só na última semana, a companhia comprou 56.533 ETH a um preço médio de US$ 4.462.
Desse modo, ela elevou sua concentração para mais de 4 ETH por cada 1.000 ações, o dobro do registrado em junho. Além disso, a empresa já acumula 1.799 ETH em recompensas de staking, um indicativo de que sua estratégia vai além da simples acumulação.
Portanto, se o Morgan Stanley estiver correto e o Fed realmente iniciar cortes em setembro, tanto a Strategy quanto a Sharplink podem ver suas teses corporativas fortalecidas. Em meio à liquidez global ampliada, o Bitcoin e o Ethereum tendem a atrair fluxos crescentes de capital.
Disclaimer: Coinspeaker está comprometido em fornecer reportagens imparciais e transparentes. Este artigo tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Mas não deve ser considerado como conselho financeiro ou de investimento. Como as condições do mercado podem mudar rapidamente, recomendamos que você verifique as informações por conta própria. E consulte um profissional antes de tomar qualquer decisão com base neste conteúdo.
Marta Barbosa Stephens é escritora e jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco, com mestrado na PUC São Paulo e pós-graduação em edição na Universidade de Barcelona.
Trabalhou em diversas redações de jornais e revistas no Brasil. Foi repórter de economia no Jornal da Tarde, do grupo O Estado de São Paulo e editora-adjunta de finanças pessoais na revista IstoÉ Dinheiro. Atuou no mercado de edição de livros de finanças em São Paulo e foi, por seis anos, redatora-chefe da revista Prazeres da Mesa (https://www.prazeresdamesa.com.br/), antes de se mudar para Inglaterra.
No Reino Unido, foi editora do jornal Notícias em Português, voltado à comunidade lusófona na Inglaterra.
Escreve e edita sobre o mercado de criptomoedas e tecnologia blockchain desde 2022.
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