SharpLink compra mais US$ 252 mi em ETH após máxima histórica

Com 797.704 ETH avaliados em US$ 3,7 bilhões, a empresa aposta no ativo como reserva estratégica e reforça sua influência no ecossistema.

Marta Stephens By Marta Stephens Flavio Aguilar Edited by Flavio Aguilar Atualizado em 7 mins read
SharpLink compra mais US$ 252 mi em ETH após máxima histórica

Resumo da notícia

  • A SharpLink comprou 56.533 ETH por US$ 252 milhões, ampliando sua posição para 797.704 ETH.
  • A empresa superou a Ethereum Foundation e se consolidou como maior detentora corporativa de ETH.
  • Estratégia inclui staking próximo de 100%, gerando milhares de ETH adicionais ao ano.

Em linha com o movimento de empresas que querem construir reservas estratégicas em ativos digitais, a SharpLink comprou mais 56.533 tokens de Ethereum (ETH) ao custo de US$ 252 milhões. Apesar da recente máxima histórica no preço do token, a empresa mostra que ainda acredita no potencial de valorização do ativo.

A SharpLink Gaming, empresa listada na Nasdaq sob o ticker SBET, anunciou a movimentação financeira na terça-feira (26/8). Portanto, a empresa mostra que ainda está firme na tese de seu caixa em Ether, criptoativo da rede Ethereum.

SharpLink já é maior detentora corporativa de ETH

O anúncio marcou mais um passo na estratégia agressiva da companhia de consolidar-se como a maior detentora corporativa de Ethereum, posição que já havia sido conquistada em julho após ela superar a própria Ethereum Foundation.

A transação reforça um movimento ousado de acumulação de ativos alternativos ao Bitcoin, que se torna cada vez mais comum entre empresas públicas. Cada vez mais empresas decidem acumular as melhores criptomoedas do mercado.

A empresa em questão agora controla 797.704 ETH, avaliados em US$ 3,7 bilhões. A SharpLink Gaming, que começou como fornecedora de soluções de marketing para o setor de apostas esportivas, pivotou sua estratégia de forma radical nos últimos meses.

O foco da companhia passou a ser a acumulação e gestão de Ethereum como reserva de valor. A companhia acredita que o ETH terá papel central na economia digital da próxima década.

Além disso, o movimento coincide também com a recente máxima histórica no preço do ETH. Atualmente, o ativo oscila em torno de US$ 4.500, segundo dados da CoinMarketCap, com  volumes diários de negociação ultrapassando US$ 65 bilhões.

SharpLink manda recado ao comprar na alta

Analistas destacam que a aquisição é um sinal inequívoco de confiança na resiliência e longevidade da segunda maior criptomoeda do mundo. E isso ocorre mesmo em meio a riscos macroeconômicos e pressões regulatórias.

A estratégia da SharpLink não começou do nada. Desde junho de 2025, a empresa iniciou a construção de um tesouro robusto de ETH, aproveitando lucros de suas operações tradicionais e rodadas de captação no mercado acionário.

Em julho, já havia atingido a marca de 728.760 ETH, superando a estimativa de 550.000 ETH da Ethereum Foundation e tornando-se oficialmente a maior detentora corporativa do ativo. A compra recente adiciona 56.533 tokens ao portfólio, reforçando o compromisso da empresa em manter um ritmo contínuo de acumulação.

O preço médio da última transação ficou próximo de US$ 4.458 por unidade, valor considerado elevado em comparação com o de compras anteriores. No entanto, isso mostra a disposição da empresa em manter a posição mesmo em ciclos de valorização.

Essa política de tesouraria é liderada por Joseph Lubin, presidente e chairman da SharpLink, cofundador do Ethereum e CEO da ConsenSys.

Lubin tem sido a face pública da estratégia, defendendo a métrica interna chamada de ‘ETH Concentration’, que hoje soma 4,5 ETH por cada 1.000 ações da empresa, um aumento de 125% desde o início da iniciativa.

SharpLink vira ‘ETF  alavancado de ETH’

Para investidores, essa métrica se traduz em exposição indireta ao Ethereum sem a necessidade de comprar criptoativos diretamente, ao mesmo tempo em que se beneficia dos rendimentos do staking.

O reforço da estratégia veio com a chegada de Joseph Chalom, ex-estrategista de ativos digitais da BlackRock, agora co-CEO da SharpLink.

A presença de Chalom trouxe credibilidade institucional e atraiu investidores tradicionais, transformando a SharpLink em um case raro de convergência entre finanças tradicionais e criptoativos.

Além de acumular a moda, a SharpLink tem feito staking próximo de 100% de suas participações, em parceria com protocolos como Liquid Collective e Figment.

Essa decisão gera rendimentos anuais estimados em milhares de ETH, o que não apenas potencializa os lucros, mas também fortalece a posição da empresa no ecossistema.

Resultados já aparecem

Além disso, os resultados dessa política já começaram a aparecer, com um incremento significativo de receitas desde a implementação do programa. A companhia anunciou que reinvestirá todos os lucros provenientes de staking, criando um efeito de capitalização que pode ampliar ainda mais seu peso dentro da rede Ethereum.

O impacto dessa acumulação no mercado é imediato. Ao retirar 56.533 ETH da circulação ativa, a SharpLink reforça a narrativa de escassez em um ativo cuja oferta é limitada e decrescente devido ao mecanismo de queima implementado pelo EIP-1559.

Com um total de 120 milhões de ETH em circulação, os holdings da SharpLink já representam aproximadamente 0,047% do suprimento. O percentual, apesar de pequeno em escala global, é suficiente para levantar discussões sobre concentração.

A comunidade cripto tem debatido se a entrada massiva de empresas corporativas na acumulação de ETH não ameaça os princípios de descentralização que sustentam o Ethereum. A empresa, por sua vez, reforça que todos os ativos estão segregados em carteiras auditadas e distribuídas, reduzindo riscos de centralização indevida.

Reações do mercado

O mercado reagiu de forma ambígua. Enquanto alguns analistas e investidores celebraram o movimento como um exemplo de visão estratégica e confiança no longo prazo, outros alertaram para os riscos de manipulação de mercado caso outras corporações sigam a mesma rota.

Esse episódio conecta-se a um marco anterior. Entre os dias 10 e 15 de julho, a SharpLink havia captado US$ 537 milhões em capital, utilizados para adquirir 120.000 ETH a um preço médio de US$ 2.800.

A compra elevou seus holdings para 728.760 ETH, avaliados em US$ 2,04 bilhões na época. Foi o que marcou a transição definitiva da empresa de um player de marketing para um gigante corporativo de criptoativos.

Desde então, a valorização do ETH elevou o valor de mercado da posição da SharpLink em mais de 70%. Portanto, acabou validando sua estratégia aos olhos de investidores que buscavam provas de resiliência.

Riscos de ETH na tesouraria

Apesar dos resultados impressionantes, os riscos não podem ser ignorados. A SharpLink está exposta à alta volatilidade do Ethereum, que pode gerar perdas bilionárias em cenários de correção abrupta.

Além disso, a concentração excessiva de recursos em um único ativo coloca a empresa sob maior escrutínio regulatório. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) já acompanha de perto movimentos corporativos relacionados a grandes acumulações de cripto, e qualquer indício de manipulação poderia desencadear investigações.

Há também riscos técnicos associados ao staking, incluindo vulnerabilidades em protocolos parceiros e eventuais ataques coordenados à rede.

Ainda assim, a perspectiva estratégica é promissora. Relatórios de mercado, como os da PwC, projetam que o mercado cripto global deve alcançar US$ 5 trilhões até 2030. Portanto, o Ethereum segue posicionado como a principal infraestrutura de contratos inteligentes e finanças descentralizadas.

Pioneirismo em ETH

Ao concentrar-se em ETH, a SharpLink alinha sua política de tesouraria à convicção de que o ativo é peça central da economia digital. O movimento também pressiona outras empresas a considerar ativos digitais como alternativas legítimas em suas estratégias de gestão de capital.

Em resumo, a compra de 56.533 ETH por US$ 252 milhões é mais do que uma transação isolada. É um marco no processo de institucionalização do Ethereum e na forma como corporações enxergam os criptoativos como reservas de valor.

A SharpLink Gaming, com sua liderança consolidada como maior detentora corporativa de ETH, não apenas reforça sua posição, mas também redefine a discussão sobre como empresas podem participar ativamente do ecossistema cripto.

Disclaimer: Coinspeaker está comprometido em fornecer reportagens imparciais e transparentes. Este artigo tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Mas não deve ser considerado como conselho financeiro ou de investimento. Como as condições do mercado podem mudar rapidamente, recomendamos que você verifique as informações por conta própria. E consulte um profissional antes de tomar qualquer decisão com base neste conteúdo.

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Marta Stephens

Marta Barbosa Stephens é escritora e jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco, com mestrado na PUC São Paulo e pós-graduação em edição na Universidade de Barcelona. Trabalhou em diversas redações de jornais e revistas no Brasil. Foi repórter de economia no Jornal da Tarde, do grupo O Estado de São Paulo e editora-adjunta de finanças pessoais na revista IstoÉ Dinheiro. Atuou no mercado de edição de livros de finanças em São Paulo e foi, por seis anos, redatora-chefe da revista Prazeres da Mesa (https://www.prazeresdamesa.com.br/), antes de se mudar para Inglaterra. No Reino Unido, foi editora do jornal Notícias em Português, voltado à comunidade lusófona na Inglaterra. Escreve e edita sobre o mercado de criptomoedas e tecnologia blockchain desde 2022.